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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Shitenno - Os Quatro Reis Celestiais do Judo

Entre os melhores alunos de Shihan Jigoro Kano estavam os que viriam a ser conhecidos como os Os Quatro Guardiões do Judo. Seus nomes ecoam orgulhosamente pela Terra:

Sakujiro Yokoyama
Divulgador do Judo devido sua habilidade técnica e combates contra outras escolas e estilos de lutas marciais.

Yoshitsugu Yamashita
Também conhecido como Yoshikazu Yamashita, grande conhecedor e inteligente como Shihan Jigoro Kano.

Shiro Saigo
Conhecido como Sugata Sanshiro, ótimo e temido lutador, criador da técnica Yama Arashi (Tempestade na Montanha), divulgador do Judo devido sua habilidade técnica e combates contra outras escolas e estilos de lutas marciais, o que lhe rendeu filmes, livros e até canções em sua homenagem.

Tsunejiro Tomita
Ótimo lutador e organizador da Kodokan (Saigo e Tomita foram os primeiros "Shodan" do Kodokan).

Estes quarto senhores da luta carregavam a bandeira do Kodokan e são reverenciados não apenas como grandes Judokas, mas também como homens retos e avançados, o ideal pelo qual Shihan Jigoro Kano lutava. Os arquivos históricos do Instituto Kodokan mostram que Shihan Jigoro Kano jamais conheceu alguém igual a estes seus alunos, que orgulhosamente o Instituto Kodokan chama de Shitenno - Os Quatro Reis Celestiais do Judo.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mitsuyo Maeda - O Conde Koma

Mitsuyo Maeda (ou Eisei Maeda) - 7º Dan, mais conhecido como Conde Koma - nasceu em Aomori, ao norte da ilha Japonesa, em 1878. Quando tinha aproximadamente 18 anos ele se mudou para Tóquio onde começou a praticar Judo com Shihan Jigoro Kano (seu registro de entrada no Kodokan data de 1897). Ele possuía um talento natural para o Judo e rapidamente passava de uma graduação a outra e se estabeleceu como o jovem Judoka mais promissor no Kodokan. Entre os anos de 1921 e 1922, o Conde Koma fez várias demonstrações no Rio de Janeiro e em São Paulo, aceitando desafios de boxeadores, lutadores de luta livre e outros, vencendo a todos. Posteriormente radicou-se em Belém do Pará (naturalizado como Otávio Mitsuyo Maeda), onde montou sua escola com grande sucesso. Conde Koma tem a seu crédito o primeiro registro nos anais da história do Judo brasileiro, aceitando e ganhando todos os desafios que lutou (alguns pesquisadores chegam a mencionar mais de mil combates sem derrota), promovendo assim o Judo por todo o Brasil. De seus vários alunos, os irmãos Gracie (Carlos e Hélio) deram continuidade ao seu trabalho, criando o Brazilian Jiu-Jitsu (BJJ), progredindo e fundando novas escolas em algumas capitais e se projetando no cenário esportivo brasileiro e mundial.

Há muitas teorias sobre a origem do apelido dado a Maeda. Uns acreditam que o apelido veio da palavra Komaru, que em japonês significa "incomodado" ou “estar em situação delicada” (uma referência irônica ao fato de Maeda estar sempre sem dinheiro) e Maeda teria retirado a última sílaba da palavra, ficando Koma, e acrescentou a palavra "Conde" por sugestão de um amigo espanhol. Entretanto, tem-se como do próprio Maeda esta declaração a um repórter de uma revista européia durante uma viagem para a Península Ibérica em 1908: “Um eminente cidadão espanhol me atribuiu o titulo de Conde Koma pelas minhas vitórias nas lutas e aparência física, e o povo, carinhosamente passou a usa-lo em detrimento do meu próprio nome”..

Maeda batizou com seu apelido a academia de Judo que fundou na capital paraense e pelo qual ficou bem conhecido no Brasil. Em sua academia, Maeda ensinava Judo restritamente como uma técnica de defesa pessoal.

Em 1929, Maeda foi promovido pelo Kodokan ao sexto Dan, e em 27 de novembro de 1941, ao sétimo Dan, porém nunca soube desta promoção, pois faleceu em Belém no dia 28 de novembro de 1941. A causa da morte foi doença renal, sendo sepultado no cemitério Santa Isabel.

Shihan Keiko Fukuda

A maior discípula que Shihan Jigoro Kano teve foi Keiko Fukuda. Nascida em Tóquio, no dia 12 de abril de 1913, é a judoka de mais alta hierarquia na história, sendo a primeira e a única mulher do mundo a alcançar um dos mais altos graus do Judo Kodokan: o 10º Dan.

Shihan Fukuda ficou órfã de pai muito cedo e na sua juventude aprendeu as artes da caligrafia, arranjo de flores e a cerimônia do chá - atividades típicas de uma mulher no Japão daquela época. Porém, apesar de sua educação convencional, Shihan Fukuda se sentia ligada ao Judo por meio das lembranças de seu avô, o samurai e mestre Hachinosuke Fukuda, primeiro professor do Shihan Jigoro Kano. O próprio Shihan Jigoro Kano convidou a jovem e frágil Fukuda (com apenas 1,50m e menos de 45 kg) para estudar Judo - um gesto incomum para a época - como um sinal de respeito pelo seu avô. Shihan Fukuda começou a praticar Judo em 1935 (com 21 para 22 anos), como uma das 24 únicas mulheres a treinar no Kodokan até então. Sua mãe e irmão apoiaram essa decisão, pensando que Fukuda acabaria por casar com um judoka, mas ela nunca se casou, se dedicando completamente ao Judo.

Em 1937, Shihan Fukuda se tornou instrutora de Judo do Kodokan (além disso, ela se formou em literatura japonesa na Universidade Showa Woman). Depois de completar sua educação formal no Japão, Shihan Fukuda visitou os Estados Unidos da América para ensinar nas décadas de 1950 e 1960, e acabou ficando por lá definitivamente.

Em 1953 foi promovida ao 5º Dan, o grau máximo que era concedido a uma mulher. Por volta de 1972 (quase 20 anos depois), após uma campanha contra a regra que proibia as mulheres de serem promovidas a uma graduação maior do que o 5º Dan, Shihan Fukuda se tornou a primeira mulher promovida a 6º Dan pelo Kodokan. Em 1973, Shihan Fukuda publica “Nascida para o Combate: Kata para as mulheres”, um livro de instrução sobre os Katas do Kodokan dedicado exclusivamente as mulheres e, em 1974, estabeleceu o acampamento anual Joshi Judo para dar aulas às praticantes do sexo feminino.

Em 08 Janeiro de 2006, o Kodokan promoveu Shihan Fukuda ao posto de 9º Dan - a primeira vez que foi concedido esse status a uma mulher. Em agosto de 2011, aos noventa e oito anos, Shihan Fukuda tornou-se a primeira mulher a ser promovida ao mais alto nível do Judo, o 10º Dan.

Shihan Keiko Fukuda, que era a última discípula viva do mestre Jigoro Kano e considerada a maior autoridade mundial em Ju No Kata, faleceu aos 99 anos, em sua casa (San Francisco - Califórnia), no dia 9 de fevereiro de 2013.

Shihan Fukuda deu aulas em seu Dojo até o último dia de sua vida, e antes de partir deixou um conselho a todas as mulheres:

Seja gentil, seja amável e seja bonita, ainda firme e forte, mentalmente e fisicamente.

Shihan Jigoro Kano e a Difusão e Aceitação do Karate no Japão

Shihan Jigoro Kano foi o grande responsável pela difusão e aceitação do Karate moderno no Japão. Fora a pedido expresso dele que o Shihan Gichin Funakoshi, vindo de Okinawa (havia um forte preconceito dos outros japoneses contra todos e tudo o que vinha desta província), aceitou ficar algum tempo mais no Japão ensinando sua arte. Shihan Jigoro Kano também o convidou para fazer uma demonstração reservada no Kodokan e sugeriu que trocasse a vestimenta usada no Karate pela a mesma do Judo, diminuindo assim o preconceito que havia contra o Karate de Okinawa no Japão. Este encontro foi tão marcante e importante para o Shihan Funakoshi que o mesmo acrescentou ao seu Karate algumas técnicas de Judo que ele aprendeu com o Shihan Jigoro Kano, como por exemplo, o De Ashi Harai. Shihan Jigoro Kano tornou-se amigo íntimo de Shihan Funakoshi e o apresentou às pessoas certas, nos círculos sociais da elite japonesa, e o ajudou a demonstrar o Karate ao Imperador. Tudo isso foi decisivo para que o Karate fosse aceito e respeitado por todo o Japão, e sem a ajuda do Shihan Jigoro Kano, talvez nunca houvesse o Karate moderno.

Shihan Funakoshi, até o fim de sua vida, como prova de sua gratidão, inclinava-se todas as manhãs em direção ao Kodokan em memória de seu amigo já falecido e sempre que passava em frente ao Kodokan fazia questão de parar, tirar o seu chapéu e dizer para quem o acompanhava: sem meu amigo Shihan Jigoro Kano eu não estaria aqui hoje!

Shihan Jigoro Kano

O Judo foi criado em 1882 pelo Shihan Jigoro Kano, que nascera em 28 de outubro de 1860 em Mikage, no Distrito de Hyogo - Japão. Com 16 para 17 anos (e de físico franzino, medindo 1,50m e pesando 48kg), Shihan Jigoro Kano iniciou o treinamento de Jujutsu e em 1882 fundou seu próprio dojo - o Kodokan. Em 1891 - com 31 anos - casou-se com Sumako, filha mais velha do então embaixador japonês na Coréia, Seizei Takezoe, e teve nove filhos (seis meninas e três meninos). Em 04 de maio de 1938, com 78 anos, Shihan Jigoro Kano faleceu de problemas pulmonares a bordo do transatlântico "Hikawa Maru" quando voltava do Cairo, onde havia presidido a assembléia geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos.

Shihan Jigoro Kano foi um homem de rara inteligência e muito à frente do seu tempo. Galgou um a um os degraus da Escala Imperial Japonesa, tendo obtido o segundo grau postumamente. Era poliglota (japonês, francês, alemão, inglês e espanhol), entusiástico calígrafo e tocador de shakuhachi (flauta de bambu japonesa). Formado pela Universidade Imperial de Tóquio em Literatura, Ciências Políticas e Política Econômica, foi professor, vice-presidente e reitor do Colégio dos Nobres; adido do ministro da Casa Imperial; conselheiro do ministro da Educação Nacional e professor honorário da Escola Normal Superior de Tóquio; diretor da primeira escola de segundo grau e da escola normal de Tóquio e secretário do Ministério da Educação Nacional; patrocinador das artes tradicionais japonesas, especialmente as músicas e as danças clássicas, e fundou sociedades e institutos para jovens e o primeiro clube de Baseball do Japão. Foi presidente do Centro de Estudos das Artes Marciais, presidente da Federação Desportiva do Japão, o primeiro asiático a pertencer ao Comitê Olímpico Internacional (1909) e considerado o Pai da Educação Física no Japão.

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