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quinta-feira, 30 de abril de 2015

GoKyo No Waza

Em 1895, treze anos após criar o Judo, Shihan Jigoro Kano, com o intuito de dar uma sequência lógica e prática ao ensinamento do Judo, separou quarenta técnicas de projeção - dentre centenas possíveis - e as agrupou de forma pedagógica em cinco séries de oito técnicas cada e denominou de GoKyo No Waza.

Em 1920 o Gokyo foi completamente revisto pelos Shiteno. Alguns autores afirmam que Shihan Jigoro Kano, por algum motivo desconehcido, não participou e nem supervisionou os trabalhos, prevalecendo assim a preferência de seus discípulos e não a sua sequência anterior. É esse o método que ainda hoje é aplicado, porém muitos mestres classificam esta revisão como um erro, pois não foi levado em conta toda a lógica pedagogia que Shihan Jigoro Kano aplicou na criação do Gokyo.

Evidentemente que no Judo existem centenas de outras técnicas (e suas variações), as quais serão aprendidas no decorrer dos anos de dedicação, treino e estudo de cada Judoka.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Shitenno - Os Quatro Reis Celestiais do Judo

Entre os melhores alunos de Shihan Jigoro Kano estavam os que viriam a ser conhecidos como os Os Quatro Guardiões do Judo. Seus nomes ecoam orgulhosamente pela Terra:

Sakujiro Yokoyama
Divulgador do Judo devido sua habilidade técnica e combates contra outras escolas e estilos de lutas marciais.

Yoshitsugu Yamashita
Também conhecido como Yoshikazu Yamashita, grande conhecedor e inteligente como Shihan Jigoro Kano.

Shiro Saigo
Conhecido como Sugata Sanshiro, ótimo e temido lutador, criador da técnica Yama Arashi (Tempestade na Montanha), divulgador do Judo devido sua habilidade técnica e combates contra outras escolas e estilos de lutas marciais, o que lhe rendeu filmes, livros e até canções em sua homenagem.

Tsunejiro Tomita
Ótimo lutador e organizador da Kodokan (Saigo e Tomita foram os primeiros "Shodan" do Kodokan).

Estes quarto senhores da luta carregavam a bandeira do Kodokan e são reverenciados não apenas como grandes Judokas, mas também como homens retos e avançados, o ideal pelo qual Shihan Jigoro Kano lutava. Os arquivos históricos do Instituto Kodokan mostram que Shihan Jigoro Kano jamais conheceu alguém igual a estes seus alunos, que orgulhosamente o Instituto Kodokan chama de Shitenno - Os Quatro Reis Celestiais do Judo.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Judo no Brasil

O Judo chegou ao Brasil com a imigração japonesa, cujo primeiro contingente chegou ao porto de Santos em 18 de junho de 1908 a bordo do navio Kasato Maru (embora haja rumores de que, em 1903, certo professor Miura já ensinasse Judo aqui no Brasil). Porém, estes imigrantes japoneses, se dedicando a outros afazeres e deveres, principalmente a agricultura, faziam do Judo apenas uma atividade social, uma forma de manter laços e apagar a saudade da pátria longínqua, ficando assim restrito a pequenos grupos e sem maiores pretensões.

O Judo só começou a ser realmente difundido por todo o Brasil no inicio dos anos vinte com a chegada dos grandes lutadores do Kodokan, que lançando e aceitando desafios, divulgavam o Judo lutando publicamente nas praças e circos, fazendo disso uma forma de subsistência ou complementação financeira. O mais famoso entres eles foi, sem dúvida nenhuma, Mitsuyo Maeda (ou Eisei Maeda) - 7º Dan, mais conhecido como Conde Koma.

A partir de 1925 houve um grande impulso no Judo com a chegada ao Brasil de vários professores do Kodokan que foram espalhando o Judo para as diversas regiões onde a imigração japonesa era mais intensa. Entre estes, destacamos:

Tatsuo Okochi (8º Dan, 1892-1965) - chegou ao Brasil em 1924, foi o fundador e primeiro presidente da Associação de Faixas Pretas do Kodokan. Em 1958 ajudou a fundar e foi o primeiro diretor técnico da Federação Paulista de Judo, a primeira federação estadual do país. Conseguiu trazer vários professores de Judo do Japão para elevar o nível técnico do Judo brasileiro, contribuindo muito para o intercâmbio cultural entre os dois países.

Sobei Tani (6º Dan, 1908-1969) - chegou ao Brasil em 1931, estabeleceu-se na região do Jaraguá, em São Paulo, onde fundou sua academia e ensinou Judo aos jovens. Entre seus alunos destacam-se os irmãos Shiozawa, consagrados atletas que defenderam o Brasil em várias competições internacionais.

Katsutoshi Naito (7º Dan, 1895-1969) - chegou ao Brasil em 1928, quatro anos depois em 1932, iniciava suas atividades judoísticas, no bairro de Rio Baixo, em Suzano, São Paulo. Foi um dos fundadores da Hakkoku Jukendo Renmei - a Federação de Judo e Kendo do Brasil -, que por sua vez deu início à direção do Judo no Brasil. Foi o primeiro medalhista olímpico do Japão (1924, em Paris), com a modalidade de luta livre olímpica, e consequentemente, introduziu esta prática esportiva no Japão. Ocupou o primeiro cargo de diretor de Judo na Federação Paulista de Pugilismo.

Ryuzo Ogawa (8º Dan, 1883-1975) - fundador da Academia Budokan, chegou ao Brasil em 1934. Tornou sua academia a primeira de projeção nacional, instalando filiais em vários estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, entre outros. O número de filiais da Academia Budokan chegou a mais de 100 unidades em todo o Brasil. Conhecido como professor de rigorosos métodos e disciplinas, procurou fazer com que seus alunos seguissem à risca os ensinamentos do verdadeiro Judo.

Na década de 1940 - ficando esclarecidas as dúvidas quanto as suas origens do antigo Jujutsu -, consolida-se o prestígio do Judo em todo o Brasil, propagando-se a sua prática no Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, dentre outros estados, fundando-se novas academias e crescendo o número de seus praticantes. Cabe aqui destacar também o importante trabalho de dois brasileiros:

Augusto de Oliveira Cordeiro (Rio de Janeiro, 1920) - foi o primeiro presidente da Confederação Brasileira de Judo depois de oficializada, em 1972, permanecendo no cargo até o início de 1979, e presidente da União Pan-Americana de Judo, de 1956 a 1972. Contribuiu muito para o desenvolvimento do Judo no Brasil, tanto como atleta, técnico, e inúmeras vezes, como chefe de delegações em competições internacionais. Como professor, formou alunos de destaque, entre os quais Luiz Alberto Mendonça (tri-campeão sul-americano); Rudolf Hermany (campeão brasileiro); Antônio Kroff (campeão brasileiro); Antônio Afonso Alves (campeão brasileiro) entre outros. Em 1964, recebeu o convite especial do Kodokan para atuar como árbitro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Seu maior sonho realizado foi conseguir elevar o nível técnico do Judo brasileiro, que permitiu a expansão desse nobre esporte para todos os estados do país.

Jamil Kalil Nasser (1914-1979) - foi um dos responsáveis pela fundação da CBJ, sempre se colocando em segundo plano procurando não aparecer, e foi um dos que mais procurou dar auto-suficiência ao Judo brasileiro. Batalhou muito para a realização do primeiro Campeonato Brasileiro de Judo e, juntamente com Paschoal Segreto Sobrinho, conseguiu que o Brasil sediasse o seu primeiro Campeonato Mundial em 1965, no Rio de Janeiro.

Assim, através do esforço e dedicação de japoneses e brasileiros, o Judo progride a passos largos. Em São Paulo, no ano de 1951, foi realizado o primeiro campeonato oficial de Judo. Em 1954 o Rio de Janeiro também realiza o seu. Ainda em 1954, realiza-se o primeiro Campeonato Brasileiro, tendo como sua maior expressão o judoka Massayoshi Kawakami, campeão nas categorias 3º Dan e absoluto. Em 1956 o Brasil participa pela primeira vez de uma competição no exterior, mais precisamente do II Campeonato Pan-Americano, realizado em Cuba, ficando em honroso segundo lugar. Formavam a equipe os judokas Massayoshi Kawakami, Sunji Hinata, Augusto Cordeiro, Luiz Alberto Mendonça, Hikari Kurachi e Milton Rossi.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Yata No Kagami - o Símbolo do Kodokan

É composto por um circulo vermelho que representa o Sol, inscrito no centro de uma figura branca octogonal (oito lados) e simboliza, segundo a tradição japonesa, um "espelho mágico" que reflete a nossa imagem interior, o nosso espírito, com o poder de revelar o que há na alma. A parte branca significa a busca do Judoka em purificar e o sol vermelho no seu interior significa as virtudes do Judo ao redor das quais as atitudes do Judoka devem centrar-se. Não confundir com a Sakura No Hana (flor de cerejeira), que representa, geralmente, as escolas antigas de Jujutsu e possui cinco lados!

O Kodokan

Em fevereiro de 1882, Shihan Jigoro Kano - aos 22 anos de idade - funda o Kodokan (Instituto onde se Aprende o Caminho) com apenas doze tatames e nove alunos (com idades entre 15 e 18 anos). Shihan Jigoro Kano albergou-se e ocupou-se deles como se fosse um pai. Foi um período difícil, mas apaixonante. O jovem professor não tinha dinheiro e o shiaijo media somente 20m², mas, apesar de todas as dificuldades, a escola progrediu e logo se tornou célebre.

Os mais temidos lutadores da época, impulsionados pela inveja, não se cansavam em desafiar os discípulos do Shihan Jigoro Kano. Houve muitos encontros memoráveis com o intuito de testar a eficácia do Judo Kodokan. Os alunos do Kodokan tinham fama de serem imbatíveis, por isso, eram insistentemente desafiados. Qualquer lutador que conseguisse alguma vitória sobre um dos alunos do Kodokan cresceria em fama e prestigio.

Mas foi só no final de 1886, após uma célebre competição contra várias escolas de Jujutsu organizada pela polícia no Campeonato Policial Bujutsu, que definitivamente ficou constatado o grande valor do Judo Kodokan (13 vitórias e 2 empates). Este resultado constituiu-se num marco decisivo na aceitação do Judo, com o reconhecimento do povo e do governo que passaram oficialmente a prestigiar o Judo Kodokan. Depois da célebre vitória de 1886, como ficou conhecida, o Judo Kodokan começou a progredir com passos confiantes. Em 1909 o governo japonês resolve tornar a Kodokan uma instituição pública, uma vez que a prática do Judo estava tendo ótima aceitação. Em 1934 o Kodokan já estava instalado em um edifício de três andares, ocupando uma área de 2000m², aproximadamente. Nessa época o Judo começava a ser introduzido em quase todas as nações civilizadas do mundo, todavia, no ocidente o termo Jujutsu ainda era empregado, embora o nome do Shihan Jigoro Kano fosse citado. Em março de 1958 é inaugurado o novo Instituto Kodokan num edifício especialmente construído para a organização e a administração do Judo, no Japão e no mundo, com um dojo de 500 tatames e seis outros menores, sendo três com 108 tatames e outros três com 54 tatames, que seriam utilizados para os mais diversos objetivos do ensino e do treinamento, com departamentos especiais para crianças, mulheres, estudantes, competidores de alto nível e estrangeiros, além de abrigar dependências para toda a parte de administração, alojamento e restaurante, totalizando 41 áreas específicas.

O Kodokan crescia em tamanho, em virtudes e no respeito da sociedade e para que assim continuasse, instituiu Shihan Jigoro Kano algumas normas que os alunos prometiam seguir e por elas empenhavam a sua palavra, além de assinar um termo que dizia:

No caso de ser admitido no Kodokan, prometo não ensinar ou divulgar os conhecimentos da arte que me será ministrada, salvo permissão das suas autoridades. Não executarei a arte publicamente para fins de lucro pessoal. Conduzir-me-ei de tal forma que nunca mancharei a honra e a tradição do Kodokan. Não abusarei, nem darei um uso indevido ao conhecimento do Judo”.

Após assinar o termo acima exposto, o pretendente a judoka deveria provar a seriedade de seus propósitos e a sua idoneidade moral. Tais normas perduram até hoje.

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