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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Happo no Kuzushi - desequilíbrio para os oito lados

O Kuzushi é o princípio vital, a alma, do Judo, e foi desenvolvido pelo Shihan Jigoro Kano através de observações e estudos dos princípios da Física e da anatomia humana. O Kuzushi possibilita desequilibrar o oponente, levando-o a uma posição na qual sua estabilidade, e consequentemente sua habilidade de ataque e defesa, é destruída, permitindo assim, arremessa-lo com o mínimo de esforço e com a máxima eficiência. Nenhuma escola de Jujutsu anterior ao Judo fora capaz de desenvolver essa técnica.

Os 8 Lados do Desequilíbrio

1. Mae-kuzushi - Desequilíbrio para frente.
2. Ushiro-kuzushi - Desequilíbrio para trás.
3. Hidari-kuzushi - Desequilíbrio para esquerda.
4. Migi-kuzushi - Desequilíbrio para direita.
5. Migi-ushiro-sumi-kuzushi - Desequilíbrio para trás à direita.
6. Migi-mae-sumi-kuzushi - Desequilíbrio para frente à direita.
7. Hidari-ushiro-sumi-kuzushi - Desequilíbrio para trás à esquerda.
8. Hidari-mae-sumi-kuzushi - Desequilíbrio para frente à esquerda.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Atemi-Waza

Atemi-waza são técnicas de socos, chutes, golpes de mão aberta, cotoveladas, joelhadas e ataque com os dedos em pontos sensíveis da anatomia humana (pontos vitais), e estão codificados nos Katas do Judo (Seiryoku zenyo-no-kata, Kime-no-kata e o Goshin-jutsu-no-kata são alguns exemplos).

Com a transformação do Judo em esporte olímpico, o atemi-waza foi completamente esquecido em 90% dos Dojos e isso tem afetado a preservação destas técnicas. O treinamento olímpico não ensina as técnicas de atemi-waza devido a proibição do seu uso em campeonatos - devido ao grande risco de ferir seriamente o adversário - e, na grande maioria das vezes, os Judokas só são apresentados a essas técnicas nos exames para graduações superiores, através dos Katas. Mas Atemi-waza existe e é tão importante quanto as demais divisões técnicas do Judo.

O atemi-waza é extremamente eficientes em termos de defesa pessoal - é usado por instituições policiais de diversos países - e pode ser treinado de várias maneiras:

Kata - Kata é uma forma predeterminada de movimentos, herança das antigas escolas de JuJutsu. Nessa forma de treinamento Uke e Tori aplicam as técnicas de ataque e defesa.

Defesa pessoal - Nesse método de treinamento podemos usar as técnicas de atemi-waza com mais ênfase. Também treinamos através do Kata, a diferença é que os katas são livres, podendo usar variações de vários golpes.

Treino Livre - Uma outra maneira é o treino livre, nele devemos usar EPIS (equipamento de proteção individual) para proteger a integridade física dos Judokas e tornar o treino o mais real possível. O Makiwara também pode ser usado no treinamento de atemi-waza.

Forma de educação física - Seiryoku Zenyo Kokumin Taiku é um Kata de atemi-waza ensinado em toas as escolas do Japão como uma forma de educação física baseado no principio da máxima eficiência, visando o treino do corpo e da mente.

O Judo é uma arte completa e deve ser estudado como um todo, incluindo o atemi-waza!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Judo no Brasil

O Judo chegou ao Brasil com a imigração japonesa, cujo primeiro contingente chegou ao porto de Santos em 18 de junho de 1908 a bordo do navio Kasato Maru (embora haja rumores de que, em 1903, certo professor Miura já ensinasse Judo aqui no Brasil). Porém, estes imigrantes japoneses, se dedicando a outros afazeres e deveres, principalmente a agricultura, faziam do Judo apenas uma atividade social, uma forma de manter laços e apagar a saudade da pátria longínqua, ficando assim restrito a pequenos grupos e sem maiores pretensões.

O Judo só começou a ser realmente difundido por todo o Brasil no inicio dos anos vinte com a chegada dos grandes lutadores do Kodokan, que lançando e aceitando desafios, divulgavam o Judo lutando publicamente nas praças e circos, fazendo disso uma forma de subsistência ou complementação financeira. O mais famoso entres eles foi, sem dúvida nenhuma, Mitsuyo Maeda (ou Eisei Maeda) - 7º Dan, mais conhecido como Conde Koma.

A partir de 1925 houve um grande impulso no Judo com a chegada ao Brasil de vários professores do Kodokan que foram espalhando o Judo para as diversas regiões onde a imigração japonesa era mais intensa. Entre estes, destacamos:

Tatsuo Okochi (8º Dan, 1892-1965) - chegou ao Brasil em 1924, foi o fundador e primeiro presidente da Associação de Faixas Pretas do Kodokan. Em 1958 ajudou a fundar e foi o primeiro diretor técnico da Federação Paulista de Judo, a primeira federação estadual do país. Conseguiu trazer vários professores de Judo do Japão para elevar o nível técnico do Judo brasileiro, contribuindo muito para o intercâmbio cultural entre os dois países.

Sobei Tani (6º Dan, 1908-1969) - chegou ao Brasil em 1931, estabeleceu-se na região do Jaraguá, em São Paulo, onde fundou sua academia e ensinou Judo aos jovens. Entre seus alunos destacam-se os irmãos Shiozawa, consagrados atletas que defenderam o Brasil em várias competições internacionais.

Katsutoshi Naito (7º Dan, 1895-1969) - chegou ao Brasil em 1928, quatro anos depois em 1932, iniciava suas atividades judoísticas, no bairro de Rio Baixo, em Suzano, São Paulo. Foi um dos fundadores da Hakkoku Jukendo Renmei - a Federação de Judo e Kendo do Brasil -, que por sua vez deu início à direção do Judo no Brasil. Foi o primeiro medalhista olímpico do Japão (1924, em Paris), com a modalidade de luta livre olímpica, e consequentemente, introduziu esta prática esportiva no Japão. Ocupou o primeiro cargo de diretor de Judo na Federação Paulista de Pugilismo.

Ryuzo Ogawa (8º Dan, 1883-1975) - fundador da Academia Budokan, chegou ao Brasil em 1934. Tornou sua academia a primeira de projeção nacional, instalando filiais em vários estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, entre outros. O número de filiais da Academia Budokan chegou a mais de 100 unidades em todo o Brasil. Conhecido como professor de rigorosos métodos e disciplinas, procurou fazer com que seus alunos seguissem à risca os ensinamentos do verdadeiro Judo.

Na década de 1940 - ficando esclarecidas as dúvidas quanto as suas origens do antigo Jujutsu -, consolida-se o prestígio do Judo em todo o Brasil, propagando-se a sua prática no Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, dentre outros estados, fundando-se novas academias e crescendo o número de seus praticantes. Cabe aqui destacar também o importante trabalho de dois brasileiros:

Augusto de Oliveira Cordeiro (Rio de Janeiro, 1920) - foi o primeiro presidente da Confederação Brasileira de Judo depois de oficializada, em 1972, permanecendo no cargo até o início de 1979, e presidente da União Pan-Americana de Judo, de 1956 a 1972. Contribuiu muito para o desenvolvimento do Judo no Brasil, tanto como atleta, técnico, e inúmeras vezes, como chefe de delegações em competições internacionais. Como professor, formou alunos de destaque, entre os quais Luiz Alberto Mendonça (tri-campeão sul-americano); Rudolf Hermany (campeão brasileiro); Antônio Kroff (campeão brasileiro); Antônio Afonso Alves (campeão brasileiro) entre outros. Em 1964, recebeu o convite especial do Kodokan para atuar como árbitro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Seu maior sonho realizado foi conseguir elevar o nível técnico do Judo brasileiro, que permitiu a expansão desse nobre esporte para todos os estados do país.

Jamil Kalil Nasser (1914-1979) - foi um dos responsáveis pela fundação da CBJ, sempre se colocando em segundo plano procurando não aparecer, e foi um dos que mais procurou dar auto-suficiência ao Judo brasileiro. Batalhou muito para a realização do primeiro Campeonato Brasileiro de Judo e, juntamente com Paschoal Segreto Sobrinho, conseguiu que o Brasil sediasse o seu primeiro Campeonato Mundial em 1965, no Rio de Janeiro.

Assim, através do esforço e dedicação de japoneses e brasileiros, o Judo progride a passos largos. Em São Paulo, no ano de 1951, foi realizado o primeiro campeonato oficial de Judo. Em 1954 o Rio de Janeiro também realiza o seu. Ainda em 1954, realiza-se o primeiro Campeonato Brasileiro, tendo como sua maior expressão o judoka Massayoshi Kawakami, campeão nas categorias 3º Dan e absoluto. Em 1956 o Brasil participa pela primeira vez de uma competição no exterior, mais precisamente do II Campeonato Pan-Americano, realizado em Cuba, ficando em honroso segundo lugar. Formavam a equipe os judokas Massayoshi Kawakami, Sunji Hinata, Augusto Cordeiro, Luiz Alberto Mendonça, Hikari Kurachi e Milton Rossi.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mitsuyo Maeda - O Conde Koma

Mitsuyo Maeda (ou Eisei Maeda) - 7º Dan, mais conhecido como Conde Koma - nasceu em Aomori, ao norte da ilha Japonesa, em 1878. Quando tinha aproximadamente 18 anos ele se mudou para Tóquio onde começou a praticar Judo com Shihan Jigoro Kano (seu registro de entrada no Kodokan data de 1897). Ele possuía um talento natural para o Judo e rapidamente passava de uma graduação a outra e se estabeleceu como o jovem Judoka mais promissor no Kodokan. Entre os anos de 1921 e 1922, o Conde Koma fez várias demonstrações no Rio de Janeiro e em São Paulo, aceitando desafios de boxeadores, lutadores de luta livre e outros, vencendo a todos. Posteriormente radicou-se em Belém do Pará (naturalizado como Otávio Mitsuyo Maeda), onde montou sua escola com grande sucesso. Conde Koma tem a seu crédito o primeiro registro nos anais da história do Judo brasileiro, aceitando e ganhando todos os desafios que lutou (alguns pesquisadores chegam a mencionar mais de mil combates sem derrota), promovendo assim o Judo por todo o Brasil. De seus vários alunos, os irmãos Gracie (Carlos e Hélio) deram continuidade ao seu trabalho, criando o Brazilian Jiu-Jitsu (BJJ), progredindo e fundando novas escolas em algumas capitais e se projetando no cenário esportivo brasileiro e mundial.

Há muitas teorias sobre a origem do apelido dado a Maeda. Uns acreditam que o apelido veio da palavra Komaru, que em japonês significa "incomodado" ou “estar em situação delicada” (uma referência irônica ao fato de Maeda estar sempre sem dinheiro) e Maeda teria retirado a última sílaba da palavra, ficando Koma, e acrescentou a palavra "Conde" por sugestão de um amigo espanhol. Entretanto, tem-se como do próprio Maeda esta declaração a um repórter de uma revista européia durante uma viagem para a Península Ibérica em 1908: “Um eminente cidadão espanhol me atribuiu o titulo de Conde Koma pelas minhas vitórias nas lutas e aparência física, e o povo, carinhosamente passou a usa-lo em detrimento do meu próprio nome”..

Maeda batizou com seu apelido a academia de Judo que fundou na capital paraense e pelo qual ficou bem conhecido no Brasil. Em sua academia, Maeda ensinava Judo restritamente como uma técnica de defesa pessoal.

Em 1929, Maeda foi promovido pelo Kodokan ao sexto Dan, e em 27 de novembro de 1941, ao sétimo Dan, porém nunca soube desta promoção, pois faleceu em Belém no dia 28 de novembro de 1941. A causa da morte foi doença renal, sendo sepultado no cemitério Santa Isabel.

Yata No Kagami - o Símbolo do Kodokan

É composto por um circulo vermelho que representa o Sol, inscrito no centro de uma figura branca octogonal (oito lados) e simboliza, segundo a tradição japonesa, um "espelho mágico" que reflete a nossa imagem interior, o nosso espírito, com o poder de revelar o que há na alma. A parte branca significa a busca do Judoka em purificar e o sol vermelho no seu interior significa as virtudes do Judo ao redor das quais as atitudes do Judoka devem centrar-se. Não confundir com a Sakura No Hana (flor de cerejeira), que representa, geralmente, as escolas antigas de Jujutsu e possui cinco lados!

Judo - Seu Propósito, Início e Desenvolvimento

Judo significa Caminho Suave (a não oposição de forças) e derivou principalmente do Jujutsu (arte de ataque e defesa sem o uso de nenhuma arma ou instrumento a não ser o próprio corpo), que tinha muitos nomes e muitas escolas. Shihan Jigoro Kano aproveitou as melhores técnicas de todas as escolas de Jujutsu que estudou - descartando as que julgou precárias e excessivamente violentas - e desenvolveu as técnicas de amortecimento de quedas (ukemis) e criou uma vestimenta especial para o treino do Judo (o judogi), pois o utilizado pelos praticantes de Jujutsu - o Hakama - provocava muitos ferimentos, criando assim em 1882, baseado em suas próprias análises e estudos, o Judo. Ao substituir Jutsu (técnica) por Do (caminho), Shihan Jigoro Kano enfatiza que o Judo não é somente uma eficiente luta corporal de combate, mas também - e o mais importante - uma filosofia de vida, um caminho a ser seguido na formação do físico e do caráter de cada Judoka.

Shihan Jigoro Kano dividiu esta nobre arte em duas formas distintas: (1) uma abrangendo as técnicas de queda, imobilizações, luxações e estrangulamentos como forma de exercícios físicos - o Judo como esporte; (2) e a outra abrangendo todas as técnicas descritas acima mais os Atemi-Waza (técnicas de golpear os pontos vitais com as mãos e os pés) - o Judo como defesa pessoal.

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